A máquina da vida

antes existia uma máquina
que roubava a vida do chão
mas que dava a vida pro mundo
e devolvia sua vida ao chão

tinha uma jovem guerreira
que protegia a máquina com fé
alimentava a máquina com gás
e deixava a máquina em pé

chegou então o engenheiro
e tirou a máquina do chão
vendeu as peças da máquina
e roubou da máquina, o chão

então a jovem guerreira
que abraçou a máquina em vão
foi morta pelo engenheiro
e devolveu sua vida ao chão

e hoje esse engenheiro
vende aquilo que a chão forneceu
se esquece da jovem guerreira.
e dorme.
em paz.
não foi ele quem morreu.

Rosas são rosas, Violetas são…

Humanos são cinzas e pobres.
Carnívoros, fracos e nus.
O bebê que sairá nas fotos.
Será sempre o de olhos azuis.

A terra é Somália e Islândia.
São tomates cozidos ou crus.
Se o homem for crucificado.
Venderão sua pele e a cruz.

Prisioneiros e malacabados.
Coleirados que comem ração.
Se vendessem a carne do homem.
Estaríamos em promoção.

Geração Coca-cola Zero

Presos. Nos 2000 sonhos de 90.
Na ficção científica e na ciência fictícia.
Com medo de ficarem parados.

Feitos. Dos 14 motivos de guerra
Sujeitos que compram as drogas
Com medo de ficarem pirados.

Afoitos. Com a política do silêncio
Policiando e vendendo liberdade
Do século onde a Alma tem preço

Doidos. Que não sabem o tamanho do mundo
Mas o faz caber numa rede. Onipotente, Oniciente.
Faz a terra não ter mais endereço.

Limites

Compor eu não sei
Mas eu sei sentir
Em você busco inspiração
Palavras pra decidir
O quão grande é o meu sentimento
E o quanto posso escrever
Pode parecer clichê
Mas é tudo que eu posso fazer
Pra te agradar e se eu puder
Te ajudar a sorrir.
Pra te agarrar quando tiver
Pra onde possamos partir.

Escrito por João Vitor e editado por Lucas Santaanna.

Imaturidade

O despertar de um novo amor, é o re-despertar de um velho amigo.
Você não ama de duas formas diferentes – ou você ama, ou você não ama – quando isso se torna diferente e não volta, é porque o seu coração já amadureceu. Ou seja, já cresceu o que tinha que crescer (Agora só falta apodrecer).
Eu sou a favor do amor imaturo, sem capitais, sem máscaras e sem roupa. Sou a favor do amor emotivo, sem terras e sem tempo.
Eu sou a favor do amor infantil, da sensação boa de quando o nosso aviãozinho de papel voa bem longe. Daquele arrepio que congela e daquela dor que – quase – mata.
Sou a favor de viver na borda, no risco, no seu coração.

Zé Brasil

Zé Brasil já viu a guerra pela televisão
E se abrisse a porta, ele estava no meio
Já entrou na padaria, com medo de raspão
Zé Brasil conhece a arma pelo som do tiroteio

Já teve que rezar pro juízo final
Para não morrer, aprendeu a ter calma
Zé Brasil já foi julgado como um marginal
O caveirão já subiu, pedindo sua alma

Todo dia é tratado como um CPF
Zé Brasil não compra a paz
Com um contra-cheque
É só mais um rapaz.
Que não reclama e faz.
Pro Zé Brasil não mudou nada
O país no G7

Seu filho chega em casa.
- Filho vai brincar.
Seu pai não teve chance
De fazer no seu lugar.
Trabalha desde os 12.
Casou por amor.
Estudou até a quarta.
Nunca foi ao redentor.

Zé Brasil está moldando o seu caixão.
Sem aposentadoria, na guerra, e sem divã.
Zé Brasil vai torcer para a seleção.
Enquanto a paz relativa é só no Maracanã.

Zé Brasil vê a marcha da maconha.
Tem opinião formada sobre aborto.
Não quer saber sobre o final da novela.
Zé Brasil só não quer ver seu filho morto.

Recado à um coração que tem asas e se esqueceu.

Se jogue nesse abismo.
Porque abismo lembra imensidão.
Imensidão lembra Infinito
Infinito lembra o amor
Que só se jogou por acreditar na eternidade.

Vidro

Você reclama de quando eu reclamo?
E da minha forma de protestar?
Quanto mais eu estufo meu peito
Você empina o nariz
E não me deixa falar;

Você reclama?
Da musica alta que pertuba, por que?
Se foi você quem tentou me calar.
A sua música, é canção, poesia
A minha é heresia, e é errado pecar.

Você com discurso hipócrita
Que não condena classe social
Mas a criança te pede um sorriso
Você abaixa o vidro e atravessa o sinal

Qual é a cor da sua pele, é Jesus?
Qual é a sua ideologia, é a cruz?
De que é feito seu concreto, de prata?
É quanto a sua mamata?
Ainda quer protestar?

Canalha

Era uma vez um homem que brincava com corações.
Porque um dia uma mulher brincou com o seu.
Era uma vez um homem que fingia que brincava com corações.
Porque um dia uma mulher brincou com o seu e não o ensinou a brincar.
Só queria revidar. Porque um dia uma mulher o trocou por um motivo banal.
O homem que brinca com corações, não ama, mas é amado.
Mas quando ele quiser um abraço, quando ele quiser dar amor.
Aparcerá uma outra mulher e brincará com o seu coração outra vez.

Londres

Maybe we were in London
Then we would be perfect
Maybe I Have to wait, a century more
Maybe in the sunset

Maybe I was faster
Or you’re just slower than this
Now I’m getting stronger
And you are just greater than we